A homenagem pop a Louise Brooks

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Durante o especial Louise Brooks vamos reunindo materiais sobre a diva.

Sugar Tax é o nono lp do Orchestral Mandeuvres in the dark, gravado em Liverpool. Uma faixa interessante deste lp é “Pandora’s box”, homenagem a um dos ídolos do líder do grupo, Andy McCluskey, a atriz do cinema mudo Louise Brooks (1900-1985), que em 1926 estrelou o clássico filme ” A caixa de [Pandora]” (Die buehse der pandora), de G.W. Pabst.

 

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Veículo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento: Almanaque
Coluna ou Seção: Música
Página: 4
Data: 14/07/1991

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Divas do cinema - Louise Brooks

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Não existe Garbo.
Não existe Dietrich.
Existe apenas Louise Brooks.
Henri Langlois

O que explica que uma quase desconhecida personalidade do cinema mudo, ignorada durante tanto tempo, torne-se, a cada dia mais, uma febre mundial? O que existe naquelas antigas fotografias cor sépia, ou nas precárias imagens dos remanescentes filmes mudos, que justifique este interesse, curiosidade ou admiração, em pessoas de lugares tão diferentes? Os nomes Greta Garbo, ou Marlene Dietrich, são famosos, mas quem foi Louise Brooks? Se ela foi considerada melhor que estas outras atrizes, porque caiu no esquecimento, e porque agora ressurgiu?

Louise Brooks foi, sem dúvida, uma atriz à frente de seu tempo. Dona de uma beleza incomum, também era dotada de uma personalidade fortíssima, e uma vontade determinada. Numa época em que a maioria dos atores e atrizes, para ter trabalho, tornavam-se submissos e eram explorados ao máximo, mal pagos, e freqüentemente nem tinham seus nomes exibidos nos créditos dos filmes, o seu temperamento era por demais explosivo, e Louise, ao não aceitar as normas vigentes na ainda jovem Hollywood incomodou muito aos donos de estúdios, o que de certa forma explica o porquê dela ter sido colocada de lado por tantos anos.

Mary Louise Brooks teve uma carreira breve em Hollywood, tendo participado de 24 filmes entre os anos 1925 e 1938. Sua imagem e atitudes permanecem, no entanto, como símbolos de uma época, e uma de suas características mais lembradas será sempre o corte de cabelo liso e curto, que lançou moda e tornou-se um ícone dos anos 20.

Num mundo onde a mídia fornece acesso imediato a qualquer novidade, e onde as mesmas são consumidas e substituídas rapidamente, é surpreendente observar como uma personagem do início do século, atriz do cinema mudo, pode ser redescoberta e tornar-se a cada dia mais popular, a ponto mesmo de competir com personagens atuais. Se isto significa algo, nenhuma outra atriz do cinema mudo tem maior número de sites na Internet dedicados à ela do que Louise Brooks.

Surpreendente também é a capacidade que suas imagens tem de prender a atenção das pessoas, sem que elas nem sequer saibam de quem se trata. Os relatos são muito semelhantes. Um fã diz ter encontrado uma foto daquela desconhecida em uma loja de antiguidades, entre tantas outras, e diz que sentiu uma compulsão em comprar aquela fotografia e tentar descobrir quem era a garota. Outro diz que cresceu enfeitiçado por uma fotografia que seu pai tinha colada na parede da sala, e que, após adulto, não descansou até descobrir quem era.

Se apenas um filme pudesse ser selecionado para lembrar seu trabalho, este não seria nenhum dos produzidos em Hollywood, mas sim A Caixa de Pandora, rodado na Alemanha e considerado um clássico. Nesta produção de 110 minutos de duração, disponível em DVD pela Magnus Opus Vídeo, Louise interpreta Lulu, uma mulher sedutora, que hipnotiza e destrói todos os homens que se aproximam dela. Há quem diga que sua tumultuada vida amorosa, teria lhe servido de inspiração para a personagem, pois de fato Louise teve muitos romances, sendo o mais famoso com Charles Chaplin.

Em 1955, na exposição 60 Anos de Cinema realizada no Museu de Arte Moderna, em Paris, foi colocado na entrada do prédio, em grande destaque, um imenso pôster de Louise. Perguntado porque havia escolhido Louise para aquela posição de honra, no lugar de Greta Garbo ou Marlene Dietrich, atrizes bem mais populares, o diretor da Cinemateque Française, Henri Langlois, fez a declaração que se tornaria eterna: “Não existe Garbo. Não existe Dietrich. Existe apenas Louise Brooks”.

Louise nasceu em Kansas, Estados Unidos, em 14 de novembro de 1906. Aos 4 anos de idade já estava no palco de sua cidade. Aos 15 decide ir sozinha para New York, e une-se à Denishaw Dance Company, principal companhia de dança moderna americana. Em 1923 faz diversas apresentações nos Estados Unidos e Canadá, sempre com muito sucesso. Em 1925 une-se ao legendário grupo Ziegfeld Follies, onde conquista posição de destaque, e faz seu primeiro filme The Street of Forgotten Men. Assina a seguir um contrato de 5 anos com a Paramount Pictures e em 1927 muda-se para Hollywood, onde participa de diversas produções. Em 1928, após o produtor B.P.Schulberg lhe negar um aumento, Louise deixa a Paramount e embarca rumo à Alemanha a convite do diretor G. W. Pabst para filmar A Caixa de Pandora.

No final do ano retorna à Hollywood e, já no início da era do cinema sonoro, mas ainda aborrecida com a Paramount, recusa uma oferta de US$10.000 para dublar seu personagem no filme Canary Murder Case, produzido sem som e por isso ainda não lançado. Graças à este episódio, ela seria praticamente encostada em definitivo pelos produtores de Hollywood. Entre 1929 e 1938 participa de poucas produções na Europa e Estados Unidos. Em 1943 volta à New York, conseguindo trabalho na radio CBS. Nos anos seguintes, esquecida pelo cinema e pelo público, ganha seu sustento de várias formas, inclusive como vendedora da loja Sak’s Fifth Avenue.

Em 1948 começa a escrever sua biografia, que ela mesma destrói ao terminar, seis anos após. Frustrada, ela justificaria dizendo que “Ao Escrever a história de uma vida acho que o leitor não pode entender a personalidade e os feitos de uma pessoa, a menos que sejam explicados os amores, ódios, e conflitos sexuais dessa pessoa. Não estou disposta a escrever a verdade sexual que tornaria minha vida digna de ser lida.” Apesar disso, daí para a frente dedica-se quase que exclusivamente à literatura, sendo que seu livro Lulu in Hollywood torna-se um best seller. Com poucos amigos, Louise tem uma vida reclusa, sofrendo por muitos anos de artrite deformante, e falecendo no dia 8 de agosto de 1985, aos 87 anos de idade.

Ultimamente, com seus filmes sendo restaurados e lançados em vídeo, com os especiais na TV sobre sua vida e seu trabalho, e mais recentemente, com todos os sites da Internet dedicados à ela, existe uma clara tentativa de reencontrar a magia e o fascínio que ela exerceu como nenhuma outra diva do cinema, na tela e na vida real. Talvez ela esteja finalmente começando a receber o merecido crédito por sua carreira, e por sua coragem em ter sido a primeira mulher a desafiar os tubarões de Hollywood. Ou talvez aquele seu antigo poder enfeitiçante esteja agora espalhando-se pela Internet…

O mais recente documentário produzido sobre Louise Brooks, exibido há pouco no canal GNT chama-se “Louise Brooks - Procurando por Lulu”.

Referências:
Louise Brooks Society

Galeria de fotos:

Grandes Divas Do Cinema - Cineclube Lanterninha Aurélio

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Cineclube Lanterninha Aurélio
Projeto Cultural CESMA -Santa Maria/RS - desde 1978
Filiado ao CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros

Grande Divas Do Cinema
Março 2008

05/03 - O Pecado Mora ao Lado
Direção: Billy Wilder
105 min. EUA- 1955

Depois de enviar a sua mulher e o filho de férias para o Maine, um editor literário de meia-idade, prepara-se para enfrentar sozinho o verão quente em Manhattan. Até que uma sedutora modelo se muda para o apartamento no andar de cima e se instala na imaginação de Sherman.

Sente a brisa do Metro? Não é delicioso?” Quando a sua saia se levantou com a brisa que passa por uma saída de ventilação do metro, Marilyn Monroe fez história em “O Pecado Mora ao Lado”. Com um encanto brilhante, a personalidade efervescente e beleza estonteante, Monroe tornou-se a maior fantasia masculina do mundo



Cineclube Lanterninha Aurélio - Projeto Cultural CESMA

19h - Entrada franca
Auditório João Miguel de Souza
CENTRO CULTURAL CESMA
Rua Professor Braga, 55 - Centro
Santa Maria - RS - Brasil

Cineclubismo: 80 anos democratizando o audiovisual brasileiro!

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Telefone - 55 3221 9165 - 3222 8544

blog. cineclubelanterninhaaurelio.blogspot.com


Próximas Exibições

12/03 - A Malvada
Direção: Joseph L. Manckiewicz
138 min. EUA - 1950

19/03 - Girassóis da Rússia
Direção - Vittório de Sica
101 min . ITA / URSS

26/03 - Gilda
Direção : Charles Vidor
110 min . EUA - 1950

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