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A comédia fraca e a grande decepção

10 de novembro de 2009
Publicado por @MarianaCosta

Na tarde de ontem, assisti a comédia francesa “Coco”. Aos mais apressadinhos, não tem nada a ver com o filme que a Audrey Tatou fez sobre a Coco Chanel. O filme fala da história de Simon Bensoussan (Gad Elmaleh), conhecido por todos como Coco. Ele é um milionário excêntrico, exagerado e acha que o mundo gira em torno dele. Ao sentir uma pequena dor no peito, acha que vai morrer. Coco faz da vida de todos seus amigos e da família um inferno. O que mais sofre com suas loucuras é o filho Samuel. Ele resolve organizar o maior evento do planeta – o barmitzvah de seu filho. O detalhe é que Coco quer que toda a comunidade judia aceite que a comemoração aconteça 6 meses antes da data correta, pois ele acredita que tem pouco tempo de vida.

Com uma sinopse assim, eu já devia ter advinhado que “Coco” não passava de uma bomba francesa. Mas entrei na sala de cinema mesmo assim. As piadas são fracas, os atores ruins, aparecem “os sete anões” usando croc. É um blockbuster francês de péssima qualidade. Ou, mais precisamente, um típico filme made for TV, com fotografia digna de, e que passaria na Sessão de Sábado.

Não vale um post sequer.

Minha grande decepção foi com “Insolação” de Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Ao olhar retrospectivamente a carreira dos dois diretores, acreditei que o filme seria ótimo. Porém não foi o que vi no cinema.O filme tenta falar do vazio, da falta de comunicação entre as pessoas. No entanto, o vazio parece mais um vazio de ideias.

“Ele conta histórias de desertos amorosos. Amor e perdas, principalmente. Numa cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e campos abertos em busca do amor inalcançável.”. A sinopse é melhor do que o filme, mesmo sendo tão pretensiosa.

No filme, o que aparece é uma Brasília de quem não sabe o que é Brasília. Não é um simples olhar de fora, é o olhar de um cego. Digo isso não apenas pela falta de noção geográfica, mas pela falta de noção. Creio que não conheço alguém que more num prédio público ou que pegue a Ponte JK para ir do Plano Piloto para o Plano Piloto. A tentativa de representar o vazio com o vazio das ruas deixa o filme artificial. Um dos personagens ao ser questionado sobre o que as pessoas fazem em Brasília, ele respondem “Elas andam pelas ruas. Visitam a Catedral”. No mundo de quem?

As frases de efeito proferida pelas personagens soam falsas. O piano sentimentalóide, da trilha, causa mais tédio do que afeição, do que tristeza, do que qualquer coisa. Pedantismo e pretensão são dois aspectos do filme. Mesmo com um elenco de primeira, as atuações deixam a desejar. Leonardo Medeiros, Maria Luisa Mendonça e Paulo José não conseguiriam salvar a película sozinhos.

A profundidade do filme não passa da superfície. A tentativa de fazer um filme estético contribui ainda mais para isso. A fixação das crianças pelos adultos aparece mais como um equívoco, porque é forçada demais. Não há ligações, nem mesmo tênues, não há nada. Tentar europeizar ao extremo o cinema feito no Brasil é um erro primário.

Felipe deve ficar no teatro, onde seu trabalho é digno de respeito. Daniela tem que retomar a parceria com Walter Salles ou só ficar com Hirsch quando for para montar os lindos cenários das peças dele. O que é triste, pois “Insolação” podia ser um filme e tanto.

Não vale o esforço.

#Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani:

- “Coco”, de Gad Elmaleh, 95 min
Sessão: dia 10 de novembro, às 19h10
- “Insolação” de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, 93 min
Ontem foi a última sessão.

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Categoria: festivais

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