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Sobre a semana passada

Como comecei a cobertura do XI FIC Brasília somente na segunda-feira, vou falar somente agora sobre alguns filmes que vi na semana passada. A começar por "A Fita Branca" que foi o longa que passou na abertura do festival. Michael Haneke é o tipo de roteirista que não gosta de entregar o filme prontinho, fechadinho e com um lacinho em volta para o espectador. E isso não é feito de uma forma desleixada e forçada. Há todo um pensamento envolvido. “A Fita Branca” (Dass Weisse Band, 2009) é o filme austríaco que  ganhou a Palma de Ouro esse ano. Honestamente, não sei se merecia ganhar, pois não vi os outros, mas o filme de Haneke é belíssimo. A influência de Bergman é muito perceptível. Uma história sobre o nascimento do ódio, sobre pais e filhos e como a forma de criar a prole dificilmente muda de geração para geração, a não ser que aconteça algo, como uma Guerra pra onde todos os homens do vilarejo fatalmente irão e só sobrarão as mulheres. O que será feito desse tipo de criação? O filme se passa num vilarejo alemão pouco antes da I Guerra Mundial. Estranhos eventos começam a acontecer na cidadela. Estes incidentes isolados vão tomando forma de um ritual de punição. O professor da cidade investiga o caso, tentando achar os culpados. “A Fita Branca” dividiu opiniões do público em Cannes. Alguns alegaram que a quantidade de personagens confunde o espectador. Outros disseram que a fotografia de tão bela toma conta do filme e atrapalha no entendimento da história. Mas, na minha opinião, o filme austríaco é uma aula de sutileza. Um filme violentíssimo que não mostra nenhuma cena de violência, isso é admirável. A fotografia, em preto e branco, fez Haneke se aproximar ainda mais de Bergman. O gelo, o olhar das crianças, a religião, o ódio, a repressão, a criação severa, a repulsa e a crueldade, esses são alguns dos aspectos tratados na película. A fotografia só atrapalha aos maravilhados, sem ela o filme não causaria o impacto que causou, sem ela não teria como sair tão satisfeito dali. Cada quadro é uma pintura, tudo muito perfeito. Cinema é música da luz e essa foi uma sinfonia de Beethoven, nesse quesito. É certo que o filme tem seus problemas, ele parece mais longo do que é, por causa da tamanha densidade da história. A narração torna-se repetitiva, a partir de um certo momento. A necessidade de tornar o professor um pouco mais importante na história cria uma historinha em paralelo que não faz diferença alguma. Porém, apesar dos pesares, “A Fita Branca” é um filme belíssimo, com alguns diálogos primorosos. Um amigo, logo depois que a sessão terminou disse “Isso aproxima-se à literatura. Aproxima-se tanto que eu precisaria de mais tempo para ver esse filme.” De fato, isso não agrada a todos, mas não há como negar a beleza do filme e a sutileza de Haneke. O filme deve estrear no Brasil no ano que vem. Quando isso acontecer, não deixem de ver, de forma alguma. * A estreia, no Brasil, do filme de Haneke está prevista para março de 2010. * Em breve, farei posts sobre os outros filmes que vi na semana anterior.

Um documentário fraco

O documentário espanhol "La Zona de Tarkovsky", dirigido por Salomón Shang, começa com cenas de arquivo. Pesquisei e não consegui identificar de onde eram essas imagens e, muito menos, o propósito delas. A sinopse dizia que o filme contava através de depoimentos de pessoas que trabalharam em "Solaris" a história de Andrei Tarkovsky e seus desejos cinematográficos para entender a vida por meio da película de cinema. O que apareceu na tela eram histórias de crianças russas que lutaram na II Guerra Mundial. O que aquilo tinha a ver com a história? Até agora não consegui entender. Depois dessa confusão inicial, inciam-se os créditos e eles duram por uma eternidade. Juntamente com as letras, a música "The End", do Doors. Isso não poderia ser mais lugar comum. No decorrer do filme, nota-se que tudo se alonga. Talvez tenha sido uma tentativa do diretor de aproximar o tempo de seu filme aos trabalhos de Tarkovsky ou por pura vaidade ele tenha querido transformar um curta em longa. São muitas dúvidas. Porém, o filme tem aspectos positivos. Os depoimentos das pessoas que trabalharam com o diretor russo tratam da sua personalidade, do seu processo criativo, de como era trabalhar com um homem totalmente dedicado a sua arte. Aparecem também algumas imagens de Tarkovsky, ele falando de pessoas que colaboraram para sua forma de fazer cinema. Além disso, nada demais. Um documentário fraco. Às vezes, eu tinha a impressão de estar a assistir ao National Geographic. Melhor dedicar seu tempo assistindo aos filmes de Andrei Tarkovsky. *Ontem, aconteceu a última sessão do documentário, no XI FIC Brasília

Nos confins do mundo

Depois de um dia não muito bom no FIC, eu já estava desanimada para a última sessão. Porém, o filme "Os Famosos e os Duendes da Morte" de Esmir Filho superou todas as expectativas que eu não tinha criado antes da exibição. Creio que não foi à toa que o filme paulistano levou o prêmio de Melhor Filme no Festival do Rio. A película é baseada no livro homônimo de Ismael Caneppele. O primeiro longa de Esmir trata da história de um garoto de 16 anos, que mora numa pequena cidade alemã, no interior do Rio Grande do Sul, na região do Vale do Rio Taquari. O menino é fã de Bob Dylan e seu meio de contato com o mundo é a internet. O tédio de sua cidade gelada é bem retratado. O rapaz assiste à vídeos onde aparece uma garota e um homem. Um mistério no filme. Quem são essas figuras? Nesse filme, o diretor continua com a abordagem dos seus curtas "Alguma Coisa Assim" (que ganhou prêmio de melhor roteiro em Cannes) e "Saliva": é a tentativa de aproximar-se do universo juvenil, do que se passa na cabeça dessas personagens que estão começando a viver. O afeto, o medo, o tédio, a amizade, a morte. Esmir fez um filme muito bonito. Existe uma certa proximidade, não digo que seja idêntico, com os filmes mais recentes do Gus Van Sant ("Elephant" e "Paranoid Park") . Um universo parecido. Um quebra-cabeças. Quem são as figuras que aparecem naquelas imagens texturizadas? Uma pitada de fantasia dá o tom. Jovens que moram longe de tudo tem uma tendência a querer sair dali, seja do "cu do mundo", como diz o protagonista, seja de uma cidade seca, seja de onde for. Sempre querem fugir pra um lugar que não lhes pertence, porque acham que não pertencem ao lugar de origem. O mundo é feito disso, de pessoas que se movem. Pode ser que o jovem compre uma passagem só de ida para um grande centro, pode ser que ele sonhe em textos postado em blogs, nas músicas que baixa, nos filmes que vê. Na adolescência, há sempre aquele caminhar perto da morte, o fascínio. Não todos, mas alguns passam por isso. A ponte? Pode ser uma saída. O filme é muito bem feito. Os aspectos técnicos não deixam nada a desejar, é pra gringo nenhum botar defeito. Pra não dizer que só falei de coisas boas, o filme poderia ter uns minutinhos a menos. Chega num ponto em que ele se arrasta demais. Mas só posso fazer essa ressalva. Henrique Larré, o protagonista, surpreende por sua atuação segura. O menino é talentoso, sem sombra de dúvidas. Esmir não mostra a fome, a miséria, a vida nas favelas e mesmo assim está muito próximo do Brasil. Pode não ser o Brasil de todos, mas certamente é o de muita gente. Ao lado de "À Procura de Eric" de Ken Loach, foi um dos melhores filmes do FIC Brasília 2009 que vi. Vale a pena ver, assim que entrar em cartaz no circuito nacional.

A comédia fraca e a grande decepção

Na tarde de ontem, assisti a comédia francesa "Coco". Aos mais apressadinhos, não tem nada a ver com o filme que a Audrey Tatou fez sobre a Coco Chanel. O filme fala da história de Simon Bensoussan (Gad Elmaleh), conhecido por todos como Coco. Ele é um milionário excêntrico, exagerado e acha que o mundo gira em torno dele. Ao sentir uma pequena dor no peito, acha que vai morrer. Coco faz da vida de todos seus amigos e da família um inferno. O que mais sofre com suas loucuras é o filho Samuel. Ele resolve organizar o maior evento do planeta - o barmitzvah de seu filho. O detalhe é que Coco quer que toda a comunidade judia aceite que a comemoração aconteça 6 meses antes da data correta, pois ele acredita que tem pouco tempo de vida. Com uma sinopse assim, eu já devia ter advinhado que "Coco" não passava de uma bomba francesa. Mas entrei na sala de cinema mesmo assim. As piadas são fracas, os atores ruins, aparecem "os sete anões" usando croc. É um blockbuster francês de péssima qualidade. Ou, mais precisamente, um típico filme made for TV, com fotografia digna de, e que passaria na Sessão de Sábado. Não vale um post sequer. Minha grande decepção foi com "Insolação" de Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Ao olhar retrospectivamente a carreira dos dois diretores, acreditei que o filme seria ótimo. Porém não foi o que vi no cinema.O filme tenta falar do vazio, da falta de comunicação entre as pessoas. No entanto, o vazio parece mais um vazio de ideias. "Ele conta histórias de desertos amorosos. Amor e perdas, principalmente. Numa cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e campos abertos em busca do amor inalcançável.". A sinopse é melhor do que o filme, mesmo sendo tão pretensiosa. No filme, o que aparece é uma Brasília de quem não sabe o que é Brasília. Não é um simples olhar de fora, é o olhar de um cego. Digo isso não apenas pela falta de noção geográfica, mas pela falta de noção. Creio que não conheço alguém que more num prédio público ou que pegue a Ponte JK para ir do Plano Piloto para o Plano Piloto. A tentativa de representar o vazio com o vazio das ruas deixa o filme artificial. Um dos personagens ao ser questionado sobre o que as pessoas fazem em Brasília, ele respondem "Elas andam pelas ruas. Visitam a Catedral". No mundo de quem? As frases de efeito proferida pelas personagens soam falsas. O piano sentimentalóide, da trilha, causa mais tédio do que afeição, do que tristeza, do que qualquer coisa. Pedantismo e pretensão são dois aspectos do filme. Mesmo com um elenco de primeira, as atuações deixam a desejar. Leonardo Medeiros, Maria Luisa Mendonça e Paulo José não conseguiriam salvar a película sozinhos. A profundidade do filme não passa da superfície. A tentativa de fazer um filme estético contribui ainda mais para isso. A fixação das crianças pelos adultos aparece mais como um equívoco, porque é forçada demais. Não há ligações, nem mesmo tênues, não há nada. Tentar europeizar ao extremo o cinema feito no Brasil é um erro primário. Felipe deve ficar no teatro, onde seu trabalho é digno de respeito. Daniela tem que retomar a parceria com Walter Salles ou só ficar com Hirsch quando for para montar os lindos cenários das peças dele. O que é triste, pois "Insolação" podia ser um filme e tanto. Não vale o esforço. #Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani: - "Coco", de Gad Elmaleh, 95 min Sessão: dia 10 de novembro, às 19h10 - "Insolação" de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, 93 min Ontem foi a última sessão.

Um festival para todos os gostos

Ontem, o Cinezine começou a cobertura do XI Festival Internacional de Cinema de Brasília, o FIC. O festival que antes ficava restrito à Academia de Tênis José Farani, agora tem sessões no Centro Cultural do Banco do Brasil, o CCBB. O FIC teve início no dia 4 de novembro, com a exibição do curta "O Teu Sorriso" de Pedro Freire e do longa "A Fita Branca" de Michael Haneke. O Festival vai até o dia 15 de novembro, encerrando com o filme "Coco Chanel & Igor Stravinsky" de Jan Kouren. Todo ano, o FIC traz à Brasília muitos filmes de vários lugares do mundo e que agrada a todos os gostos. Esse ano temos franceses, sul coreanos, austríacos, brasileiros, iranianos, argentinos, americanos, portugueses, romenos e mais alguns de outras localidades. Comédias, dramas, documentários, cinema fantástico, etc. É uma ótima oportunidade para o brasiliense ver produções que muito dificilmente entrarão em cartaz por aqui. A presença de diretores de alguns filmes também é um certo atrativo para o espectador. E, no ano de 2009, o Cinezine está fazendo a cobertura do FIC. Falarei aqui sobre os filmes que vi, na semana passada e que verei no decorrer dessa semana.

XI FIC Brasília:

- local: Academia de Tênis José Farani e algumas sessões no CCBB - data: de 04 a 15 de novembro - horário: de seg. a sex. as sessões começam a partir das 17h e sab. e dom. às 15h - Veja os filmes e a programação aqui: http://ficbrasilia.com.br - Ingressos: Na Academia, R$14 e R$7 a meia. No CCBB, R$4 e R$2 a meia. *ao comprar mais de 10 ingressos, o preço da meia cai para R$6. *Imagem de "A Fita Branca"

1° Cine Grandes Curtas

Depois de uma longa ausência aqui no cinezine, eu volto com uma grande notícia: em Pelotas acontecerá o 1° Cine Grandes Curtas - Festival Nacional de Curtas da Cidade de Pelotas - FENADOCE 2009.

- são 19 (dezenove) dias de exibição de filmes; - todos os filmes inscritos serão exibidos no festival; - todos os filmes receberão "diagnóstico" da comissão julgadora; - possibilidade de exibir + de 480 curtas; - sala de exibição com capacidade para 300 pessoas + exibição on-line; - inscrição gratuíta; - evento participante da fenadoce, feira já consagrada nacionalmente, com público médio de 350 mil visitantes (de 03 à 21 de junho 2009); - são 13 categorias de premiação; - os 13 filmes vencedores farão parte de um dvd distribuído nacionalmente.

Para se inscrever e saber e mais detalhes basta acessar a página do festival.

1º Festival de Curtas de Pelotas

1° cine grandes curtas festival nacional de cinema da cidade de pelotas na fenadoce 2009 "a doce arte do cinema"

informe: Cinepel - Associação Pelotense do Cinema Independente Pelotas / RS fone: (53) 3228.9339

CineBancários apresenta Mostra APTC do Cinema Gaúcho 2008

Rock no CES + Debate sobre gênero e LGBTT

7º Santa Maria Vídeo e Cinema apresenta os filmes selecionados

Festival Cinema Noise – Filmes e documentários de rock


Rizoma