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Estreia do filme “A Antropóloga”

A Antropóloga estreia dia 29 de abril colocando em cena misticismo ilhéu

Bruxos e bruxas, vampiros, lobisomens, anjos e demônios são personagens em alta na ficção contemporânea. Vieram do imaginário das mais diversas culturas para as telas do cinema cumprindo o gasto papel dos tradicionais heróis e vilões da indústria do entretenimento. Movido por um visível interesse afetivo pela cultura ilhoa, Zeca Pires, diretor do Departamento Artístico-Cultural da UFSC, não cedeu às fórmulas fáceis do mercado: inscreveu o universo mágico ilhéu nessa onda mística com o cuidado científico de um antropólogo e a delicadeza poética de um cineasta. Seu aguardado longa-metragem A antropóloga, que estreia no dia 29 de abril em todas as salas comerciais de Florianópolis, tem todos os ingredientes de um suspense, mas é, na verdade, um filme de mistério. Vencedora do Edital da Fundação Catarinense de Cultura de 2003, a obra preserva, pela ambiguidade e sutileza, o silêncio respeitoso pelo mundo inapreensível do sagrado.

O respeito ao mistério tira A Antropóloga do lugar-comum das ficções que tratam o universo simbólico como espelho da realidade, onde as entidades sobrenaturais servem de meras caricaturas para a reencenação maniqueísta da luta entre o bem e o mal. No drama de Carolina (Rafaela Barcelos), a menina com suspeita de empresamento bruxólico, o eterno embate entre o bem e o mal se faz presente, sobretudo no confronto final entre a antropóloga e a bruxa, mas está cercado de ambiguidades e contradições.

A exemplo das grandes obras de mistério, assinadas por autores do talento de Edgard Allan Poe, Henry James ou o cineasta Roman Polansky, A Antropóloga coloca o espectador em contato com o sobrenatural sem dar a chave do segredo. O enredo transita sutilmente entre a explicação científica para o desenlace dos fatos e a abertura para o campo do inexplicável, que abala o ceticismo cientificista inicial da pesquisadora portuguesa. Em seu trabalho de campo na Costa da Lagoa, Malu se depara com uma miríade de indícios e relatos de magia que acaba associando aos registros do antropólogo ilhéu Franklin Cascaes e ao drama da menina. Como o pai Adriano (Luige Cútulo), que apesar de médico recorre à magia para salvar a filha, o abismo da morte desinstala a cientista das convenções acadêmicas.

Assim, a leitura do filme passa por várias camadas de interpretação que vão da mais racional a mais sensorial e nos dão conta de que todas transitam igualmente no mundo das possibilidades do simbólico. Nenhuma é capaz de fechar a porta do mistério e desestimular o espectador a uma nova leitura. Em seu célebre comentário aos poemas de Caproni, o filósofo italiano Giorgio Agamben fala da res amissa como o sentimento da coisa perdida, algo que possuímos tão intensamente que perdemos a consciência da sua presença e por isso se tornou inapreensível. Essa coisa do plano do invisível e do imaginário mais intocado da sua gente que Zeca Pires tenta evocar como matérias do sagrado que não podem ser consumidas pelo fogo do espetáculo.

Raquel Wandelli, assessora de Comunicação da SeCArte/UFSC

Lançamento do filme A Antropóloga, de Zeca Nunes Pires

Dia 29 de abril de 2011
Salas comerciais de Florianópolis

Sobre A Antropóloga:
http://www.aantropologa.com.br
http://twitter.com/aantropologa
http://antropologaofilme.wordpress.com

Sobre a bondade humana em “Amarelo Manga”

"Ninguém é inocente
Há muito tempo se perdeu a esperança nos homens. O castigo urge e grita aos 7 cantos. Os humanistas de beira de púlpito se apiedam de suas próprias almas pois é justamente no orgulho da bondade que reside o maior de todos os pecados.
O homem morre
O mundo se extingue
E as chamas se consomem mas a soberba acompanha o vazio..."

Cerveja Falada

Os personagens desse documentário são Rupprecht Loeffler e sua cervejaria, a Canoinhense. Um trabalho de resgate de parte da memória de um cidadão de 93 anos de idade que acompanhou as movimentações do século XX, mas que mantém o tempo parado dentro de sua cervejaria. Uma vida dedicada à paixão pelo trabalho e a manutenção de uma tradição familiar.

A descrição acima é da produtora do curta, mas não faz jus ao que é Cerveja Falada.

O curta-metragem de Demétrio Panarotto, Guto Lima e Luiz Henrique Cudo é história. A história do mestre cervejeiro mais antigo do país, de ritos que são intocáveis, atravessando os séculos, contada por suas personagens, do ponto de vista que a história não conta: a sua relação, os seus afetos, a sua memória. É história oral em essência.

O Sr. Rupprecht Loeffler conta as suas, sob o ângulo de quem acompanhou o curso e as curvas, produzindo suas cervejas artesanais e com elas passando por guerras, por crises, por governos. E isso acabou se tornando mais importante que a receita da sua cerveja. A cerveja se tornou cenário das relações, das pessoas, dos amores, de vidas inteiras. Virou o pretexto para que acontecessem.

Cerveja Falada mostra isso, provocando muitos risos e emocionando. Belíssimo!

Notas:

1. Cerveja Falada terá uma exibição no CCE, na UFSC, em Florianópolis, amanhã, 10 de novembro, às 20:30.

2. Outras andanças e detalhes técnicos do filme podem ser acompanhados através da Exato Segundo.

3. Na Wikipédia, você encontra informações sobre a Cervejaria Canoinhense, que certamente você vai querer conhecer depois de assistir ao documentário.

 

O uso de projetores em Europa, de Lars Von Trier (zentropa)

A próxima vez que você assistir Europa (zentropa, 1991), de Lars Von Trier, tente reparar com atenção na utilização de projetores em diversas cenas do filme. Mais de uma vez fiquei encantado com a voz de Max von Sydow narrando com primor a água que bate no tambor do trem, o mergulho em trilhos hipnóticos, os diálogos onde os atores interagem com a projeção, entrar e sair de cena ora como imagem projetada, ora o colorido em primeiro plano. O relógio, o letreiro "Lobsomem", o suicídio na banheira. Momentos projetados, refletidos no tempo e vivos na memória. Salve Lars!

Elephant (Gus Van Sant) em tempo real

É quase impossível de acreditar que ao som de "Sonata ao Luar" a câmera escorre macia pelos corredores da escola Columbine, as cenas combinam, interpolam, multiplicam, desdobram e transformam a linearidade do tempo em um objeto elástico. Gus Van Sant realiza de forma primorosa a terrível história dos garotos-atiradores Eric & Dylan. Cenas fortes da nossa contemporaneidade.

Resenha Especial do Filme “Em teu nome”

Quase quatro décadas depois, um dos períodos mais obscuros da história do Brasil ainda rende muitos roteiros para o cinema nacional. Os conflitos dos perseguidos pelo regime militar, o inferno dos porões da ditadura e o vazio deixado na vida de milhões de brasileiros pelos crimes praticados pelo governo valem por sua dramaticidade e principalmente pelas lições de luta por um país melhor. Em Teu Nome (Brasil, 2009), que estreia nessa sexta em todo o país, tem roteiro e direção de Paulo Nascimento e trata exatamente da época mais pesada do regime de exceção, na década de 1970, durante o governo Médici. O filme acompanha a história verdadeira de João Carlos Bona Garcia e de sua esposa, Célia Garcia, do momento em que o jovem estudante de engenharia toma parte em ações armadas da Vanguarda Popular Revolucionária de Carlos Lamarca, até sua saída do país, junto com o grupo dos 70 militantes trocados pelo embaixador da Suíça, e posterior exílio na Argélia e na França, terminando com a volta do casal ao Brasil, em 1979, com a Lei da anistia, de cuja comissão Garcia foi presidente. O filme é simples e didático. O roteiro, escrito por Nascimento em 5 dias num hotel em Gramado, na serra gaúcha, não surpreende e perde o ritmo da metade para o final, abusando dos planos curtos colados em sequência. Quase não há ação e o espectador só toma consciência dos acontecimentos pelos diálogos demasiadamente superficiais e explicativos entre os personagens. Momentos potencialmente dramáticos passam despercebidos e alguns trechos são constrangedores, sobretudo as falas de Cecília, alterego cinematográfico de Célia, que, assim como o protagonista, não convence e não gera empatia no público, que assiste ao filme como quem vê uma peça escolar. O ponto positivo do longa é a trilha sonora, com direito à participação especial de Vítor Ramil, e também algumas das locações no Rio Grande do Sul, no Marrocos e na França, que, nas palavras do próprio diretor, pretenderam ser fiéis ao cenário onde a história realmente se deu. A experiência é válida pelo retrato de um período, mas, cinematograficamente, deixa muito a desejar. Além disso, vem num momento delicado, em que a lei de anistia tão comemorada na história é questionada pela sociedade após a polêmica decisão do STF que não cedeu à pressão de grupos internacionais de defesa dos direitos humanos e manteve a impunidade dos agentes do governo acusados de tortura. Entre os muitos filmes que tratam do regime militar, o trabalho de Nascimento não se destaca senão como evidência de que um roteiro descuidado pode ofuscar uma história de vida das mais fascinantes. === Resenha especial escrita pelo autores convidados Tiago Gautier  ( @el_gauti ) e Viton de Araújo Neto ( @pegaladrao ). === O Cinezine Histórias de Cinema ( @cinezine ) agradece a disposição dos autores e o convite da Cena Um Produtora para a realização da cobertura da pré-estréia realizada no Unibanco Arteplex Shopping Bourbon Country - Porto Alegre.

Cello, de Andrey Kudryavtsev

Cello é um filme que trata sobre a cultura juvenil onde Andrey Kudryavtsev utiliza-se da fábula adolescente do século passado para colocar em evidência o nosso tempo - este tempo infantil. Inspirado no cultuado livro "O apanhador no campo de Centeio" o diretor transporta Autiska, uma garota que busca construir seu próprio mundo arrancando pedaços aleatórios de vida adulta em meio ao mesmo campo de centeios, a mesma criança em fuga, sem perceber as diferenças. O filme é rodado em outra era, a era do mito da irresponsabilidade total. Onde acima de tudo, um adolescente é diferente de uma criança: mora em um mundo diferente dos adultos, um mundo próprio. Esta oposição, em negação ao mundo adulto e o desejo de mudá-lo formam a imagem, o som e o sabor do filme. O universo paralelo, nem sempre em nosso idioma, mas sensível ao olhar da câmera, universal. Encontre e devore-o. Dirção: Andrei Kudryavtsev Diretor de fotografia: Paul Manzhos Trilha sonora: Dmitry Dimov, Sergei Zhigunov Cenários: Arkady Astanin Make up: Svetlana Nekrasov Elenco: Oksana Kulneva, Svetlana Dolgov, Yelena Pavlova.

David Lynch participa de curta-metragem brasileiro

O cineasta participou do último episódio de uma série de filmes feitos para a internet Um vagão de trem abandonado é o cenário de um crime. Nessa cena sangrenta um detetive investiga o assassinato de um homem, tentando ler sua mente antes que as memórias desapareçam. Essa é a sinopse do curta-metragem O Passageiro Obscuro. Mas pode não ser bem assim, tudo pode ser fruto da imaginação. Para o cineasta estadunidense David Lynch, quando estão sozinhos, o seres humanos imaginam algumas coisas. "Seres humanos são como detetives, nós vemos nosso mundo, existem pistas nele... e imaginamos as possibilidades", diz em uma entrevista exibida no filme. A entrevista de Lynch deu origem ao processo criativo e faz parte do curta, que é a versão brasileira do filme The Soul Detective, dirigido por Davi de Oliveira Pinheiro - que divide a produção com Letícia de Cássia - e fotografado impecavelmente por Luciano Amaro Valério. "A entrevista com Lynch é um experimento visual e sonoro, para testar o quanto uma opinião pode se tornar ficção, algo completamente diferente do intento original", explica o diretor. A participação de David Lynch, diretor de clássicos como O Homem Elefante (1980), Blue Velvet (1986), Cidade dos Sonhos (2001), além da série de televisão Twin Peaks (1990), segue a linha dos outros curtas da série Ensaios Visuais. O Passageiro Obscuro foi filmado em dois dias, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e é o quinto e último filme da série Internet Fronteiras do Pensamento: Ensaios Visuais, representando mais de 50 minutos de cinema disponíveis gratuitamente, na internet. A versão em inglês já foi vista por mais de 5 mil pessoas, causando interesse e gerando matérias no jornal USA Today, na revista francesa Premiere, no site Fangoria entre outros. A base para O Passageiro Obscuro foi o longa-metragem Porto dos Mortos, dirigido por Pinheiro. Segundo o diretor, no curta-metragem pode aprofundar questões de ritmo, movimentação interna dos personagens, permitindo uma realização mais instintiva. Ficha técnica Texto e Direção - Davi de Oliveira Pinheiro Produção - Davi de Oliveira Pinheiro e Letícia de Cássia Fotografia - Luciano Amaro Valério Edição - Marcelo Allgayer Elenco: Leandro Lefa (O Detetive), Carolina Silvestre (A Mulher de Vermelho), Isidoro B. Guggiana (O Chefe de Estúdio) e David Lynch. Duração: 9 minutos. Legendado em Português. Produzido por V2 Cinema. Patrocinado por Braskem e Copesul Cultural. Ensaios Visuais Além de O Passageiro Obscuro, fazem parte da série Ensaios Visuais os curta-metragens Dois Andares, de Márcio Schoenardie; Teatro de Titãs, de Fernando Belens; De Volta ao Quarto 666, de Gustavo Spolidoro; e What Are You Looking For?, de Camila Gonzatto. Os cinco episódios apresentam quase uma hora de entrevistas e experimentações cinematográficas. David Lynch, Beto Brant, Philip Glass, Fernando Arrabal, José Padilha e Wim Wenders estão entre as estrelas de cada segmento, dirigidos por cinco diretores brasileiros. A série Ensaios Visuais foi realizada simultaneamente ao Seminário Internet Fronteiras do Pensamento, no período de 2007 a 2008. O Passageiro Obscuro from Think Tank on Vimeo.

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