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Cinema nacional ganha impulso para parceria estrangeira

1 de fevereiro de 2008
Publicado por @TiagoMx

São Paulo – O Brasil produziu 27 filmes em parceria com outros países desde 2006. Antes disso, a média de co-produções no País era de uma ao ano. A informação é da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que, junto do Ministério da Cultura, criou, há dois anos, o programa Cinema do Brasil. A intenção era promover encontros entre produtores brasileiros e estrangeiros e fortalecer o segmento nacional do ponto de vista do investimento. “Com a ‘binacionalidade’, você garante que o filme seja explorado em, no mínimo, dois países”, afirma o presidente do Cinema Brasil, o cineasta André Sturm. “Isso levanta e gera recursos e é interessante do ponto de vista econômico”, considera.

A partir de quinta-feira, uma delegação com 25 produtoras que contam com o incentivo do Cinema do Brasil participa da 58ª edição de um dos mais importantes eventos de cinema do mundo, o Festival de Berlim. Além do filme “Tropa de Elite”, de José Padilha, selecionado para concorrer ao Urso de Ouro, os investidores europeus assistirão a nove produções brasileiras e terão, no mercado do Festival, infra-estrutura para estabelecer contato com os profissionais brasileiros. A função do programa é justamente essa: garantir que esses encontros se realizem, levando os produtores brasileiros para fora e trazendo estrangeiros ao Brasil.

Esta semana, antes de Berlim, o Festival da Curta Metragem de Clermont-Ferrand, na França, terá, pela primeira vez, representantes brasileiros. A delegação vai à Europa com incentivo do Cinema do Brasil. Para março, o programa está organizando um evento no País para receber uma missão canadense com 30 produtores. O alvo são países com potencial para investimento em co-produções. “Os Estados Unidos são os maiores produtores de cinema, mas não fazem parcerias e não compram filmes estrangeiros”, explica Sturm. “Já na Europa, as co-produções são comuns, tem países que tem até institutos para isso. São esses lugares que buscamos”, diz.

Geração de negócios
Desde 2006, o cinema brasileiro gerou um volume de negócios de US$ 43 milhões, segundo a Apex. Antes disso, o presidente do programa conta que a estimativa era de geração de US$ 5 milhões a US$ 6 milhões. “As co-produções incentivam a cultura em seu sentido mais amplo, com a exposição de costumes brasileiros no exterior. E são importantes economicamente”.

Para Sturm, o incentivo institucional é importante para conseguir parcerias estrangeiras. “Vários produtores já tentavam fazer isso e tinham muita dificuldade. Ir sozinho a festivais, sem ter estrutura e apoio é caro e difícil”, explica. O Cinema Brasil tem investimento anual orçado em R$ 5 milhões, e conta com 95 produtoras associadas em todo o País. “Para produtores que apostam em profissionalização tem sido bastante produtivo”, avalia o cineasta. (Aline Scátola)

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