"À Procura de Eric" é um filme muito divertido. Mas não é só isso. Existem os dramas. Eric Bishop (Steve Evets) é um carteiro que já teve dias melhores. Ele vive com um filho e um enteado que só dão problema. Tem uma complicada relação com sua primeira mulher, Lily. Além de tudo, está com dificuldades no trabalho. Ou seja, um homem comum cheio de problemas e com poucas motivações para continuar. Só que Eric encontra um parceiro que o ajuda a tentar superar tudo isso, o ex-jogador de futebol Eric Cantona.
Cantona era um polêmico jogador que ficou conhecido mais por suas intrigantes declarações do que por seus lances, apesar de sua grande habilidade. A declaração mais conhecida é "Quando as gaivotas seguem o barco dos pescadores, é porque pensam que sardinhas serão atiradas ao mar". Isso foi durante uma coletiva de imprensa que Cantona concedeu logo depois que saiu o resultado de sua suspensão por ter dado uma voadora em um torcedor. Ele é quem consegue fazer Eric dar uma guinada em sua vida, enfrentar os medos e enfrentar os filhos. Um ídolo que muda a vida de um homem simples que se emocionava com seus gols e passes.
O filme ressalta o grande valor da amizade e toda a humanidade, seja a de um simples carteiro ou de um grande ídolo. Loach que costumava fazer filmes engajados, nesse faz um filme rir e chorar, não ao mesmo tempo. Sabe dividir a hora da alegria e a hora da tensão. Não há mesclas. É do jeito que as coisas são. Somente um grande cineasta conseguiria fazer um filme assim. E somente entendendo o homem comum é possível retratar a vida de um deles. E Ken Loach é grande conhecedor desses homens que vivem à margem.
"À Procura de Eric" tinha tudo para ser piegas e bobo, mas Ken Loach é gênio. O protagonista dá uma aula de interpretação, assim como o diretor mostra toda sua maestria. E o roteiro é muito bem construído. Nem todos que se arriscam nesse tipo de história conseguem acertar, mas sabe como é, os gênios podem e se eles erram, nós perdoamos. A questão é que ele acertou e esses dias na vida de Eric merecem ser vistos por aqueles que gostam de uma boa história.
- À Procura de Eric, de Ken Loach.
roteiro de Paul Laverty
com Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop
Trailer
Ken Loach também sabe fazer rir
"À Procura de Eric" é um filme muito divertido. Mas não é só isso. Existem os dramas. Eric Bishop (Steve Evets) é um carteiro que já teve dias melhores. Ele vive com um filho e um enteado que só dão problema. Tem uma complicada relação com sua primeira mulher, Lily. Além de tudo, está com dificuldades no trabalho. Ou seja, um homem comum cheio de problemas e com poucas motivações para continuar. Só que Eric encontra um parceiro que o ajuda a tentar superar tudo isso, o ex-jogador de futebol Eric Cantona.
Cantona era um polêmico jogador que ficou conhecido mais por suas intrigantes declarações do que por seus lances, apesar de sua grande habilidade. A declaração mais conhecida é "Quando as gaivotas seguem o barco dos pescadores, é porque pensam que sardinhas serão atiradas ao mar". Isso foi durante uma coletiva de imprensa que Cantona concedeu logo depois que saiu o resultado de sua suspensão por ter dado uma voadora em um torcedor. Ele é quem consegue fazer Eric dar uma guinada em sua vida, enfrentar os medos e enfrentar os filhos. Um ídolo que muda a vida de um homem simples que se emocionava com seus gols e passes.
O filme ressalta o grande valor da amizade e toda a humanidade, seja a de um simples carteiro ou de um grande ídolo. Loach que costumava fazer filmes engajados, nesse faz um filme rir e chorar, não ao mesmo tempo. Sabe dividir a hora da alegria e a hora da tensão. Não há mesclas. É do jeito que as coisas são. Somente um grande cineasta conseguiria fazer um filme assim. E somente entendendo o homem comum é possível retratar a vida de um deles. E Ken Loach é grande conhecedor desses homens que vivem à margem.
"À Procura de Eric" tinha tudo para ser piegas e bobo, mas Ken Loach é gênio. O protagonista dá uma aula de interpretação, assim como o diretor mostra toda sua maestria. E o roteiro é muito bem construído. Nem todos que se arriscam nesse tipo de história conseguem acertar, mas sabe como é, os gênios podem e se eles erram, nós perdoamos. A questão é que ele acertou e esses dias na vida de Eric merecem ser vistos por aqueles que gostam de uma boa história.
- À Procura de Eric, de Ken Loach.
roteiro de Paul Laverty
com Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop
Trailer
A poesia das pedras
"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" é o mais recente filme de Karim Aïnouz ("Madame Satã", "O Céu de Suely") em parceria com Marcelo Gomes ("Cinema, Aspirinas e Urubus"). Ele se configura como o diário de viagem de um geólogo que é enviado para realizar uma pesquisa no sertão nordestino, com o intuito de avaliar uma área que servirá de lugar para a construção de um canal. A película, de início, dá características de uma espécie de road movie poético.
As imagens do filme foram captadas há um certo tempo. Estavam guardadas e foram montadas e remontadas formando um filme que fugiu completamente da ideia original dos dois. O geólogo, José Renato (Irandhir Santos), não aparece em nenhum momento. Ele vai relatando suas impressões durante a viagem.
No início, a herança do Cinema Novo é clara: a narração, o ambiente, o isolamento do sertanejo. Em determinado ponto, lembra muito "Os Sertões", de Euclides da Cunha, isso quando ele detalha a geografia da região, fala sobre as rochas.
O filme que começa falando de pedras, de solidão e desolação do personagem. A vontade de voltar para casa, voltar para a "galega". No decorrer do filme, a paisagem começa a mudar, o vazio começa a ser ocupado por pessoas e ele começa a enxergá-las.
A trilha sonora é composta, em parte, por músicas do gosto popular. Algo que combina muito com o interior do Brasil: o forró, as músicas românticas. O começo com frases piegas que vai se transformando e a narração vai tomando contornos mais poéticos, depois ela vai sendo povoada por pessoas que fazem parte daqueles lugares remotos.
Mesmo com suas irregularidades inciais, "Viajo..." é um bom filme que merece ser visto. Mesmo que seja só por curiosidade.
#Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani:
- "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, Brasil, 75min.
Sessões: dia 14 de novembro, às 18h00 e dia 15 de novembro, às 15h00
Um aviador também pode filmar
Ontem, depois de gastar os restos das minhas moedas no caríssimo café da Academia de Tênis, me dirigi à sala 5 sem esperar grandes coisas do filme do Cazaquistão, "Tulpan". Achei muito curioso o fato de seu diretor, Serguey Dvortsevoy, ter se formado na Escola de Aviação da Ucrânia. E queria ver o que os jurados de Cannes andavam premiando, já que a película ganhou o prêmio Un Certain Regard, em 2008.
Algumas pessoas tinham comentado que o filme era bom, mas essas avaliações são tão subjetivas. É preciso de mais e mais para me convencer. E, também, não gosto de gerar expectativas em torno de algo que eu vá ver. A questão é que "Tulpan" me surpreendeu muito. Dvortsevoy diz que faz um "cinema da vida" e realmente o que vemos na tela é tão próximo da realidade que não se sabe ao certo o que foi dirigido e o que aconteceu ali naquela paisagem desértica sem previsão. Tudo o que foi apresentado demonstrava uma experiência de vida vasta e de fato Serguey a tem, pois viajou por muitos cantos daquela região da antiga União Soviética.
"Tulpan" foi candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2009. É claro que isso não é garantia de qualidade, mas é estranho como os filmes que concorrem a esse prêmio serem tão diferentes daqueles que são feitos nos Estados Unidos. A linha é tão tênue entre documentário e a ficção nesse filme cazaque e a história é tratada com uma grande delicadeza, coisa de quem respeita o homem, que sente afeto por ele.
Esse é o primeiro longa de Serguey Dvortsevoy. A história se passa num lugar no meio da estepe cazaque, não há indicações precisas de onde seja. O protagonista, Asa, quer ser pastor de ovelhas e ele busca um casamento, pois essa é a exigência de seu patrão para que ele possa receber um rebanho. A única jovem disponível da região, Tulpan, rejeita-o, pois alega que suas orelhas são muito grandes. Asa tenta a todo custo fazer com que ela o aceite. Numa determinada cena do filme, ele mostra à jovem o desenho que fez na gola de seu uniforme de marinheiro do Serviço Naval Russo, um costume entre eles. E algo tão simples, torna-se tão belo. Um jovem que mora no meio do nada e que ainda é capaz de sonhar.
Os longos planos contemplativos acompanham o cotidiano dos personagens. O elenco é composto, em sua grande parte, por atores não-profissionais. Serguey opta por usar o nome verdadeiro daquelas pessoas. Ao fazer uma comparação, pode-se dizer que sua câmera funciona como a máquina fotográfica de Cartier Bresson, pois ele parece invisível e capta momentos tão únicos quanto o fotógrafo francês. Ele está sempre no lugar certo, na hora certa. É impressionante.
A longa cena do parto da ovelha é um momento que para alguns pode causar um certo asco, mas que simbolicamente é um momento muito importante na vida de Asa (Askhat Kuchencherekov). O momento da auto-afirmação como pastor. Há também o lindo plano em que o protagonista observa sua família pela janela de um trator, ele olhando para trás e sua irmã e seu pequeno sobrinho correndo atrás do veículo, a moldura de um sonho que ele está a abandonar.
"Tulpan" é um belo filme que vale a pena ser visto por seu humanismo.
#Em cartaz no XI FIC Brasília, Academia de Tênis José Farani:
- "Tulpan", de Serguey Dvortsevoy, Cazaquistão, 2008, 100min.
Sessões: sexta-feira, dia 13 de novembro, às 19h10 e sábado, dia 14 de novembro, às 19h40
Sobre a semana passada
Michael Haneke é o tipo de roteirista que não gosta de entregar o filme prontinho, fechadinho e com um lacinho em volta para o espectador. E isso não é feito de uma forma desleixada e forçada. Há todo um pensamento envolvido.
“A Fita Branca” (Dass Weisse Band, 2009) é o filme austríaco que ganhou a Palma de Ouro esse ano. Honestamente, não sei se merecia ganhar, pois não vi os outros, mas o filme de Haneke é belíssimo. A influência de Bergman é muito perceptível. Uma história sobre o nascimento do ódio, sobre pais e filhos e como a forma de criar a prole dificilmente muda de geração para geração, a não ser que aconteça algo, como uma Guerra pra onde todos os homens do vilarejo fatalmente irão e só sobrarão as mulheres. O que será feito desse tipo de criação?
O filme se passa num vilarejo alemão pouco antes da I Guerra Mundial. Estranhos eventos começam a acontecer na cidadela. Estes incidentes isolados vão tomando forma de um ritual de punição. O professor da cidade investiga o caso, tentando achar os culpados.
“A Fita Branca” dividiu opiniões do público em Cannes. Alguns alegaram que a quantidade de personagens confunde o espectador. Outros disseram que a fotografia de tão bela toma conta do filme e atrapalha no entendimento da história. Mas, na minha opinião, o filme austríaco é uma aula de sutileza. Um filme violentíssimo que não mostra nenhuma cena de violência, isso é admirável. A fotografia, em preto e branco, fez Haneke se aproximar ainda mais de Bergman. O gelo, o olhar das crianças, a religião, o ódio, a repressão, a criação severa, a repulsa e a crueldade, esses são alguns dos aspectos tratados na película. A fotografia só atrapalha aos maravilhados, sem ela o filme não causaria o impacto que causou, sem ela não teria como sair tão satisfeito dali. Cada quadro é uma pintura, tudo muito perfeito. Cinema é música da luz e essa foi uma sinfonia de Beethoven, nesse quesito.
É certo que o filme tem seus problemas, ele parece mais longo do que é, por causa da tamanha densidade da história. A narração torna-se repetitiva, a partir de um certo momento. A necessidade de tornar o professor um pouco mais importante na história cria uma historinha em paralelo que não faz diferença alguma. Porém, apesar dos pesares, “A Fita Branca” é um filme belíssimo, com alguns diálogos primorosos.
Um amigo, logo depois que a sessão terminou disse “Isso aproxima-se à literatura. Aproxima-se tanto que eu precisaria de mais tempo para ver esse filme.” De fato, isso não agrada a todos, mas não há como negar a beleza do filme e a sutileza de Haneke. O filme deve estrear no Brasil no ano que vem. Quando isso acontecer, não deixem de ver, de forma alguma.
* A estreia, no Brasil, do filme de Haneke está prevista para março de 2010.
* Em breve, farei posts sobre os outros filmes que vi na semana anterior.
Juliette Revista de Cinema inicia temporada 2009

O lançamento da edição 005 da Juliette Revista de Cinema será realizado no Fórum de Eventos da Livraria Fnac, em Curitiba, quinta-feira, 12, às 19h30. Na ocasião, haverá um bate-papo sobre cinema argentino, com a presença do editor-chefe do Caderno G, da Gazeta do Povo, Paulo Camargo, e da especialista em Cinema e apresentadora do programa Orelha do Livro, da Lúmen FM, Mariana Sanchez.
Além dos tradicionais ensaios críticos, indicações de lançamentos, editoriais de cinema e comunicação, e da sessão Making of, a primeira edição do ano traz uma entrevista inédita com o documentarista argentino Andrés Di Tella, criador do Buenos Aires Festival Internacional de Cinema Independente (Bafici). O Festival, criado em 1999, contou com a presença de Francis Ford Coppola, ganhando notoriedade em todo o país.
Juliette é uma iniciativa de Josiane Orvatich, tendo Eduardo Baggio e Rafael Urban como co-editores, e Murilo Wesolowicz como diretor de produção. As ilustrações da edição de março são de Vitor Aiolfi.
A publicação é realizada de maneira independente e conta com patrocínio da Tecnicópias Impressão Digital e apoio da GP7 Cinema e Atores, VLS Produções Serigráficas e Ascine-RJ.
Serviço:
Data: quinta-feira, 12/3/2009 Horário: 19h30 Local: Fnac Curitiba - Park Shopping Barigui - Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – loja 101. Para mais informações, acesse o blog da revista: www.revistajuliette.blogspot.com Para assinaturas, entre em contato pelo e-mail: revistajuliette@gmail.com
Amarelo Manga
1° Cine Grandes Curtas
Depois de uma longa ausência aqui no cinezine, eu volto com uma grande notícia: em Pelotas acontecerá o 1° Cine Grandes Curtas - Festival Nacional de Curtas da Cidade de Pelotas - FENADOCE 2009.
- são 19 (dezenove) dias de exibição de filmes; - todos os filmes inscritos serão exibidos no festival; - todos os filmes receberão "diagnóstico" da comissão julgadora; - possibilidade de exibir + de 480 curtas; - sala de exibição com capacidade para 300 pessoas + exibição on-line; - inscrição gratuíta; - evento participante da fenadoce, feira já consagrada nacionalmente, com público médio de 350 mil visitantes (de 03 à 21 de junho 2009); - são 13 categorias de premiação; - os 13 filmes vencedores farão parte de um dvd distribuído nacionalmente.
Para se inscrever e saber e mais detalhes basta acessar a página do festival.

1° cine grandes curtas festival nacional de cinema da cidade de pelotas na fenadoce 2009 "a doce arte do cinema"
informe: Cinepel - Associação Pelotense do Cinema Independente Pelotas / RS fone: (53) 3228.9339




